O desmatamento como questão global

10/06/2014

Maior e mais bem conservada floresta tropical do mundo, a Amazônia cumpre papel importante no sistema climático terrestre desde o Cretáceo. Nas condições atuais, a floresta amazônica constitui um dos mais significativos sumidouros de carbono de todo o planeta. Ao mesmo tempo, sabe-se que a floresta amazônica é determinante para o regime de chuvas na América do Sul. Sua influência, na verdade, se estende sobre o clima de outros continentes.

Desmatamento como questão global
  Foto por Leonardo F. Freitas

Por conta desses “serviços” prestados pela floresta amazônica, o desmatamento na Amazônia brasileira tem merecido atenção especial no debate internacional sobre a mudança climática. O acelerado avanço da fronteira socioeconômica sobre a região, com a eliminação de mais de 750 mil km2 de florestas desde os anos 1960, colocou o Brasil entre os cinco maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa.

Entre 1996 e 2005, o Brasil lançou na atmosfera, em média, 200 milhões de toneladas de carbono somente por causa do desmatamento na Amazônia, sem incluir emissões resultantes de queimadas na região, de acordo com cálculos do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Ipam), feitos a partir de dados do governo brasileiro. Desde então, o ritmo do desmatamento passou a cair expressivamente, em parte devido às políticas de combate ao desmatamento empreendidas pelo governo brasileiro.

Ciente de seu papel no cenário global, em novembro de 2009 o Brasil assumiu o compromisso voluntário de reduzir as emissões nacionais de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9%, até 2020. Como 61% das emissões brasileiras, até 2012, vieram do setor mudanças de uso da terra e florestas, esse compromisso passou a exigir um esforço duradouro do país com o controle do desmatamento na Amazônia. Dessa forma, os rumos das políticas públicas para a região são cruciais, já que vão influenciar o comportamento dos atores econômicos que lá operam.