Mudanças climáticas na Amazônia

02/07/2014

A Amazônia está integrada ao sistema climático global, influenciando-o e sendo influenciada por ele. Embora ainda haja um elevado nível de incerteza sobre como a floresta reagirá tanto à mudança do clima global quanto à redução de sua cobertura florestal, todos os modelos climáticos projetam mudanças mais ou menos significativas no funcionamento dos ciclos naturais da região.

Os estudos e projeções realizadas até o momento indicam que as mudanças climáticas devem alterar os níveis de precipitação e as características das estações em vastas áreas da América do Sul, incluindo a Amazônia.

Projeções feitas por modelos climáticos de alta resolução, relatadas no 5o Relatório de Avaliação (AR5) do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), incluem um aumento significativo nas precipitações durante o século 20 na parte sul e sudeste da América do Sul, havendo, inclusive, uma tendência a precipitações extremas tanto nessa região quanto no norte e no centro da Argentina – áreas cujas condições climáticas são influenciadas pela umidade proveniente da Amazônia.

Leste da Amazônia mais seco

Ao mesmo tempo, simulações feitas pelo projeto CMIP5 – uma iniciativa coordenada pelo World Climate Research Programme, que possibilita comparar resultados de simulações e projeções realizadas por diferentes modelos climáticos acoplados de vários centros metereológicos do mundo, – indicam aumento nas chuvas entre outubro e março no sul e sudeste do Brasil e na bacia do Prata.

No nordeste do Brasil e no leste da Amazônia – onde se concentram a parte com povoamento mais adensado e, ao mesmo tempo, grandes extensões desflorestadas na região –, o modelo projeta secas e redução da umidade, embora com um maior grau de incerteza. Simulações feitas pelo projeto CMIP5 indicam aumento nas temperaturas na porção sudeste da Amazônia até o final deste século.

Ainda de acordo com as projeções reportadas pelo AR5, em cenários marcados por médios e altos níveis de emissões, alguns ecossistemas apresentam alto risco de mudanças abruptas e irreversíveis em sua composição, estrutura e funcionamento – entre eles, a floresta amazônica. Embora essas projeções contenham incertezas significativas, segundo o relatório do IPCC, tais incertezas são menores que as reportadas anteriormente, constituindo, assim, informações valiosas para orientar medidas que previnam esses impactos negativos sobre a região.