Fragmentação deixa floresta vulnerável ao fogo

10/06/2014

A falta de planejamento no uso produtivo das propriedades rurais e a exploração madeireira sem manejo adequado ocasionam a degradação da floresta e a fragmentação da cobertura florestal. Submetidos a períodos de seca, fragmentos descontínuos reduzem gradativamente a umidade da floresta, tornando-a mais inflamável.

Estudos do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), realizados nos últimos oito anos, mostram que, num quadro de aquecimento global e secas mais frequentes, as florestas da região amazônica perdem muita umidade, tornam-se muito mais vulneráveis às queimadas, a mortalidade de árvores aumenta significativamente e há um aumento nas emissões de carbono para a atmosfera. A fragmentação da cobertura florestal, inclusive em áreas privadas, reduz a umidade da floresta, deixando-a mais suscetível ao fogo acidental e, portanto, aos incêndios florestais.

O uso do fogo para o manejo de áreas agrícolas e pastos é largamente empregado no Brasil, quase sempre sem a devida autorização do órgão ambiental. De acordo com o INPE, em 2013 foram detectados 115,4 mil focos de calor em território brasileiro. Três estados da Amazônia foram responsáveis por 47,2% desse total: Pará (20,5 mil), Mato Grosso (17,8 mil) – estados que, juntos, somaram 60,3% do desmatamento de 2013, segundo o Sistema Prodes – e Maranhão (16,2 mil). De acordo com estimativa do Ipam, incêndios na Amazônia custam anualmente entre 0,2% e 10% do PIB da região.