A floresta amazônica e o sistema climático regional

10/06/2014

A floresta amazônica tem sido um importante componente do sistema climático terrestre desde o Cretáceo. A evaporação e a condensação que ocorrem em grande escala como resultado da interação da atmosfera com a floresta constituem engrenagens da circulação atmosférica, produzindo efeitos sobre o regime de chuvas não apenas na América do Sul, mas também em regiões mais distantes.

A umidade proveniente do Oceano Atlântico, que penetra pelo nordeste do continente trazida pelos ventos alísios, é adensada na bacia amazônica pela evapotranspiração da floresta. Cerca de 50% dessa umidade se precipita sobre a própria bacia e é reciclada pela floresta. Nesse ciclo, a extração da água subterrânea e seu retorno para a atmosfera – a “transpiração” – é considerado o mais importante serviço ambiental prestado pela floresta amazônica.

Toda essa umidade é, então, transportada pelos ventos – os chamados jatos de baixos níveis da América do Sul – para o oeste, em direção à Cordilheira dos Andes, que aumentam a velocidade de circulação desses ventos e os desviam rumo ao sul. Os jatos passam então sobre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em direção à bacia do Prata, onde interagem com o relevo e as frentes frias vindas do sul, produzindo, em poucas horas, chuvas intensas sobre a região.

Essa interação climática entre a região tropical e subtropical da América do Sul ocorre ao longo de todo o ano. No verão, há incursões de ar tropical úmido da Amazônia em direção ao sul, principalmente pela ação dos jatos de baixos níveis da América do Sul. No inverno, o ar seco e frio proveniente da parte meridional do continente pode penetrar a Amazônia central, baixando as temperaturas na região.