Entenda os sistemas de monitoramento da floresta amazônica

10/06/2015

O monitoramento das alterações na cobertura florestal da Amazônia Legal é realizado por três diferentes sistemas: o Deter, o Prodes e o Degrad – este último dedicado exclusivamente à degradação da floresta. Os três são operados pelo INPE, órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e servem para orientar as políticas governamentais de enfrentamento às causas do desmatamento ilegal.

Ao lado desse três sistemas oficiais, a florestas amazônica é monitorada pelo Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD). Operada pela organização não-governamental Imazon, sediada em Belém, essa ferramenta tem perfil semelhante ao do Deter e se destina a gerar alertas periódicos de desmatamento.

 

O Sistema Deter

O Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) foi desenvolvido por demanda do PPCDAm com o intuito de gerar alertas sobre desmatamento em intervalos curtos, de forma a reduzir o tempo de resposta das operações de fiscalização contra os degradadores.

Em operação desde em maio de 2004, mapeia tanto áreas de corte raso – isto é, em que a cobertura florestal é totalmente removida – quanto de degradação florestal – quando a cobertura florestal é parcialmente removida, mantendo parte de seu dossel. Como a degradação é, quase sempre, uma etapa anterior ao corte raso, o Deter indica as tendências espaciais do desmatamento em curso na região.

O sistema, que tem recebido aprimoramentos desde sua adoção, apresenta duas limitações. A primeira se refere à baixa resolução especial das imagens utilizadas – provenientes do sensor MODIS, do satélite Terra, da NASA –, que detectam apenas desmatamentos com área superior a 25 hectares. A segunda se refere à impossibilidade de identificar desmatamentos encobertos por nuvens. O Ministério do Meio Ambiente tem anunciado a incorporação de novas tecnologias a esse sistema visando superar essas limitações.

Em agosto de 2012, o INPE anunciou que a atualização dos dados do Deter passaria a ser feita a cada 15 dias, ao mesmo tempo em que alertas de desmatamento seriam diariamente repassados ao Ibama para orientar a fiscalização. Essas informações eram disponibilizadas ao público mensalmente, nos meses de menor cobertura de nuvens, ou bimestralmente, durante a estação chuvosa.

Porém, a partir de junho de 2014, em um contexto de aumento no desmatamento, o governo alterou a frequência de divulgação dos dados na Internet. No início de novembro, INPE e Ibama anunciaram que a divulgação dos dados desse sistema passaria a ser feita trimestralmente. Na mesma ocasião, anunciaram que estava sendo testado um sensor de maior resolução, o AWiFS, do satélite indiano IRS, capaz de detectar desmatamentos maiores que 6,25 hectares.

 

O Sistema Prodes

O Sistema Prodes fornece a estimativa anual e a taxa oficial consolidada da área desmatada na Amazônia considerando as alterações do tipo corte raso registradas entre 1o de agosto de um ano e 31 de julho do ano seguinte. Nesse cálculo, não é contabilizada a área de degradação florestal mapeada.

Até 2002, o processo entre a produção das análises e a confirmação da taxa de desmatamento consolidada, feito por métodos analógicos, consumia cerca de dois anos. No ano seguinte, o INPE implementou um sistema de interpretação e classificação digital, reduzindo o tempo entre a análise e a divulgação da taxa estimada e, posteriormente, do cálculo consolidado. O Prodes utiliza sensores de vários satélites, que possibilitam identificar áreas desmatadas maiores que 6,25 hectares.

Desde 2005, a estimativa de desmatamento é divulgada no mesmo ano em que as análises são realizadas – em geral, antes das conferências anuais da Convenção do Clima, programadas para os meses de novembro ou dezembro. Para essa estimativa, o Prodes utiliza cerca de 90 das 229 imagens de satélite que recobrem toda a região. Neste ano, a COP será realizada em dezembro em Paris (França).

Já a divulgação da taxa consolidada – que vale para o cálculo oficial do desmatamento para fins, por exemplo, do cumprimento das metas fixadas na Política Nacional sobre Mudança do Clima - é obtida a partir da análise do maior número possível das 229 imagens de satélite. Sua divulgação vinha sendo feita até junho do ano seguinte, mas neste ano, entretanto, o governo protelou sua divulgação até agosto. A variação entre a taxa estimada e a taxa consolidada é, geralmente, de até10% para mais ou para menos.

 

O Sistema de Alerta de Desmatamento

O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) é operado pelo Imazon, entidade não-governamental reconhecida internacionalmente pelo trabalho de pesquisa, especialmente na área de políticas públicas, que desenvolve na Amazônia. O sistema teve início em 2004 apenas no Mato Grosso e, a partir de 2006, passou a monitorar toda a Amazônia Legal.

Embora utilize imagens do mesmo sensor do Deter – o MODIS, do satélite Terra –, o processamento adotado permite identificar desmatamentos em áreas superiores a 10 ou 12 hectares e contornar a cobertura de nuvens. As análises realizadas pelo Imazon são divulgadas até o dia 20 de cada mês e distinguem as áreas de corte raso das áreas de degradação florestal, ao mesmo tempo em que indicam a localização e a condição fundiária de onde ocorreram – se em terras indígenas, unidades de conservação, assentamentos, outras terras públicas ou terras privadas.

​A publicação ​dos dados do ​SAD ​incomoda a atual gestão do Ministério do Meio Ambiente, que sempre que possível faz críticas desfavoráveis ao sistema. No entanto, ​é adotado por governos estaduais, prefeituras municipais, Ministério Público e organizações da sociedade civil​ para a realização de análises, formulação de políticas e de medidas de fiscaliza​cão em campo.

Obtenha mais informações sobre os sistemas Deter e Prodes no site do Inpe e sobre o SAD no site do Imazon.

 

Os sistemas Degrad e Detex

A degradação florestal é caracterizada pela retirada seletiva e persistente de árvores ou mesmo pela limpeza ou queima de parte do sub-bosque de uma floresta, de forma que seu dossel permaneça razoavelmente conservado. Esse tipo de desmatamento tem sido ardilmente utilizado na Amazônia para dificultar sua identificação pelos satélites e, assim, burlar a fiscalização.

Diante dessa constatação, o INPE desenvolveu o sistema Degrad, que utiliza imagens dos satélites Landsat e CBERS para mapear áreas de florestas degradadas acima de 6,25 hectares, com tendência de ser convertida em corte raso.

A continuidade dessa iniciativa é considerada fundamental por especialistas, já que a degradação florestal empobrece a diversidade biológica e tem contribuição crescente nas emissões de gases de efeito estufa provenientes de mudanças do uso do solo. No entanto, após realizar levantamentos para os anos de 2007, 2008 , 2009 e 2010, o INPE não divulgou novos resultados desse monitoramento. Mais informações sobre esse sistema e alguns de seus resultados podem ser encontradas aqui.

Um quarto sistema, denominado Detex, está em desenvolvimento pelo INPE. Fruto de uma parceria com o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), seu principal objetivo é permitir o controle e acompanhamento da extração de madeira em florestas públicas exploradas sob regime de concessão. Embora, segundo o INPE, já haja mapeamentos de florestas sob concessão concluídos, seus dados ainda não foram tornados públicos.

 

Veja a evolução do desmatamento na Amazônia no decorrer dos anos através de imagens do satélite Landsat com a ferramenta Google Earth Engine.

Assista ao vídeo que detalha cada sistema.

 

Atualização

No dia 05 de maio de 2016, o Ministério do Meio Ambiente lançou o sistema DETER B para aprimorar o monitoramento da região amazônica e detectar desmatamentos menores em tempo quase real. Atualmente, o DETER usa imagens do sensor Modis do satélite Terra, que tem a resolução de 250 metros e somente detecta desflorestamentos a partir de 25 hectares. Essa limitação provocou uma mudança no perfil do desmatamento ilegal, que passou a ser mais disperso e com áreas menores.

Por solucionar o problema, o INPE contará também com imagens do sensor AWiFS do satélite indiano ResourceSAT 2 (IRS 2D), que tem a resolução de 56 metros e detecta desmatamentos a partir de 3 hectares. Os dados permitirão a identificação tanto do desflorestamento quanto da degradação e poderão qualificar desmatamentos por mineração.

Adiante também serão usadas imagens do sensor WFI do satélite sino-brasileiro CBERS-4, com resolução de 64 metros. Os dois satélites têm a resolução temporal de cinco dias, o que significa que dão a volta completa ao redor do globo nesse período, aumentando a repetibilidade das imagens.

O sistema Prodes, que fornece a taxa anual oficial do desmatamento na Amazônia, também tem uma resolução maior, porém, a aquisição e o processamento das imagens são mais lentos e não servem ao mesmo propósito do DETER, que é a pronta notificação à fiscalização do Ibama.