SOS para a Amazônia

11/08/2017

Poucos dias antes da viagem do presidente Michel Temer à Noruega, realizada no mês passado, o ministro do Meio Ambiente daquele país, Vidar Helgesen, no cargo desde dezembro de 2015, escreveu uma carta ao seu par no governo brasileiro, José Sarney Filho. Ao longo de três páginas e meia, Helgesen elogiava as ações desenvolvidas pelo Brasil para controlar o desmatamento da Amazônia, mas ressaltava sua preocupação com o cenário recente. Não era para menos: em 2016, a devastação na região aumentou 30%, o pior resultado desde 2008. Na conclusão, o ministro nórdico era claro: as doações de seu país para o Fundo Amazônia, criado em 2009, que já somam 1,1 bilhão de dólares, poderiam ser cortadas. Durante a visita de Temer, a Noruega anunciou uma redução de 50% no orçamento destinado ao Brasil em 2017 para proteção da região amazônica (agora serão cerca de 200 milhões de dólares). Formado em direito pela Universidade de Oslo e ex-chefe de gabinete da atual primeira-ministra, Erna Solberg, Helgesen, de 49 anos, é diplomático ao falar da política brasileira na entrevista a seguir. Contudo, enfatiza: “Temos tolerância zero com a corrupção”.

A Noruega cortou em 50% as doações que estavam destinadas ao Brasil em 2017 para proteção da Amazônia. Existe receio de uso ilegal desses recursos financeiros? Temos tolerância zero com a corrupção. Preocupamo-nos com os relatos sobre os desvios no Brasil, assim como em outros países, mas cabe às instituições nacionais lidar com essas questões. De nossa parte, investimos nas garantias para monitorar as doações.

Esse foi o tom da reunião do presidente Michel Temer com a premiê Erna Solberg, na qual o senhor esteve presente? No encontro, o Brasil procurou mostrar que segue comprometido com a redução do desmatamento na Amazônia. Foram citadas medidas de aumento de áreas de proteção e maior orçamento para o Ibama fiscalizá-las. Penso que, no longo prazo, o país precisa construir uma abordagem sustentável para o mercado internacional. Ao produzir para uma economia global, é necessário demonstrar e documentar cadeias de produção livres do desmatamento. No curto prazo, o governo brasileiro disse que vai investir em fiscalização e controle –no entanto, o futuro exige uma agenda crítica de sustentabilidade.

Revista Veja | BR | Amarelas.com

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