Sociedade civil lança manifesto contra políticas ambientais do governo Temer

26/06/2017

Não dá para mudar o tom da prosa. A visita de Temer à Noruega, o pito que ganhamos do país que sediou, de 1984 a 1987, a primeira Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, da qual resultou o famoso Relatório Brundtland, ou "Nosso Futuro Comum". "Vocês estão desmatando demais", disse a primeira-ministra Erna Solberg a Temer na sexta-feira (23). Foi vaga, sem conteúdo, a resposta do nosso ministro do meio ambiente, José Sarney Filho. Talvez para não desanimar demais os cidadãos brasileiros preocupados com questões ambientais, disse que o desmatamento vai baixar. E que, quando baixar, o dinheiro norueguês voltará aos cofres brasileiros. Não disse como isso vai acontecer.

A sociedade civil, porém, preparou uma réplica bem mais substancial à questão, muito menos otimista, um manifesto de cobrança. Cerca de 130 movimentos sociais, organizações e entidades ambientalistas, indígenas, de direitos humanos e do campo se uniram e criaram o movimento "Resista" para tentar fortalecer o debate e, sobretudo, chamar atenção dos cidadãos para o que chamam de "desmonte da legislação ambiental". O desmantelamento virá, segundo a carta escrita a várias mãos e endereçada ao governo federal, sob a forma do Projeto de Lei nº 3.729/2004 de autoria de Luciano Zica - PT/SP , Walter Pinheiro - PT/BA , Zezéu Ribeiro - PT/BA e outros), que tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados e trata da flexibilização das regras do licenciamento ambiental.

Na semana passada, antes de viajar, Michel Temer usou as redes sociais para responder à modelo Gisele Bündchen e passar uma imagem de preocupação com o meio ambiente. Disse que vetaria MPs que tentam desproteger áreas da Floresta Amazônica. Mas, na realidade, o que está por vir é bem pior, segundo os ambientalistas que assinam a carta do "Resista".

"Às tentativas de aniquilação das políticas de reforma agrária e do uso social da terra, contidas na Medida Provisória (MP) 759, somam-se iniciativas de extinção de Unidades de Conservação, a facilitação e legalização da grilagem de terras e os ataques contra direitos e territórios indígenas. Em conjunto, tais investidas buscam disponibilizar estoques de terras para exploração desenfreada e também para serem negociadas através do projeto que libera a venda de terras para estrangeiros", diz a carta, que pode ser lida aqui.

No site da Fase, uma das organizações que assinam a carta-manifesto, está a explicação sobre como vai ser a dinâmica do movimento:

"Com atuação nacional e capilaridade em todas as regiões, o grupo atuará em frentes parlamentares, jurídicas e de engajamento social, e não poupará esforços para impedir que o governo e os ruralistas façam o Brasil retroceder décadas em termos de preservação ambiental e de direitos humanos".

Blog Nova ética social - G1 | BR

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