Ritmo do desmatamento na Amazônia Legal diminui depois de 5 anos

23/08/2017

Depois de cinco anos seguidos de alta, o ritmo do desmatamento na Amazônia Legal desacelerou. Nos últimos 12 meses, a Floresta Amazônica perdeu 2,8 mil quilômetros quadrados de mata nativa. Não é pouca coisa, não: isso é quatro vezes o tamanho da cidade de Salvador. Mas é também 21% menor que o desmatamento no período anterior, interrompendo uma sequência de cinco anos de alta nas derrubadas.

Em todos os estados houve redução. O Pará foi o que mais conseguiu diminuir a área desmatada. A maior parte do desmatamento foi verificada em áreas privadas ou em processo de regularização. Os dados são do Imazon, uma organização de pesquisa que há 27 anos estuda a Floresta Amazônica.

O levantamento também traz um alerta: pelo segundo ano consecutivo, 20% de todo o desmatamento na Amazônia ocorreram em unidades de conservação: florestas, parques nacionais, reservas biológicas, que foram criadas pelo governo justamente para impedir o avanço das derrubadas. Mas, segundo o Imazon, tem muita gente invadindo essas áreas protegidas de olho nas movimentações políticas em Brasília, que tentam legalizar terras que vêm sendo ocupadas nessas regiões.

Um exemplo está no sul do Amazonas, onde o Imazon identificou vários focos de desmatamento perto de cinco unidades de conservação. Parlamentares apresentaram projetos a técnicos do governo para reduzir os limites dessas áreas de preservação.

“Se busca, primeiramente, exercer esse desmatamento no entorno ou dentro mesmo dessas unidades de conservação, com o intuito de provocar uma ação política para provocar a redução ou alteração do tipo de proteção dessas áreas”, destaca Antônio Fonseca, analista do Imazon.

O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, disse que a queda do desmatamento já era esperada, porque, segundo ele, houve reforço no orçamento da fiscalização ambiental: “As operações de comando e controle voltaram com vigor jamais visto. Ao lado disso, tivemos com todos os governadores da Amazônia conversando sobre desmatamento. Com isso, o desmatamento, a gente esperava que ele cedesse”. 

Sarney Filho afirmou também que os pareceres do Ministério do Meio Ambiente sobre alterações no limite das unidades de conservação sempre levam em conta a redução do desmatamento ilegal.

G1 | BR | Jornal Nacional

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