Raphael Bastos de Medeiros: Há uma dificuldade em se arriscar pelo Norte

18/04/2017

"Sou formado em Administração e Comércio Exterior. Aos 39 anos, juntei-me a uma associação de combate ao desmatamento na Amazônia que, para alcançar o objetivo, usava o empreendedorismo. Hoje, sou diretor executivo do Centro de Empreendedorismo da Amazônia."

Conte algo que não sei.

A Lei Federal 11.947 trata do repasse de verba para a compra de merenda escolar, em que o mínimo de 30% tem que ser destinado à agricultura local familiar. Porém, mais de 60% dos municípios da Amazônia não cumprem essa lei. Se ela fosse efetivamente seguida, promoveria desenvolvimento socioeconômico local.

É possível produzir na Amazônia e respeitar a natureza?

A pecuária sempre foi tida como vilã do meio ambiente, mas, hoje, sabemos que existem técnicas que deixam a produção capaz de cumprir o código florestal, manter reservas ambientais e ainda aumentar o lucro em até 6%. É possível, sim, e a gente vai trabalhar para que isso seja replicado.

Por que empreender na Amazônia?

As pessoas não enxergam a Amazônia como uma oportunidade, e acabam abrindo uma pizzaria, um sushi, uma franquia. A Amazônia é, realmente, a terra das oportunidades. Ela é o Eldorado, mas não da mineração, da extração de madeira, da pecuária extensiva e das hidrelétricas. Ela é o Eldorado do desenvolvimento sustentável, da conexão com negócios rurais, da possibilidade de fazer negócios sociais e lucrativos. A gente não encontra um ambiente tão propício para novos negócios quanto a Amazônia.

Qual é a maior dificuldade que a região enfrenta na produção agrícola?

O grande problema não é não produzir, mas a falta de quem compre os produtos. Em Belém, é mais fácil ver leguminosas de São Paulo do que da própria Amazônia. Muita gente pensa que na região não se produz nada, que é só uma grande área verde. A Amazônia produz muita coisa, e de forma sustentável.

Por quais motivos as prefeituras não compram do produtor familiar local e este não vende para as prefeituras?

Na maioria dos casos, a prefeitura diz que o agricultor familiar não produz na quantidade necessária, não entrega no prazo, não tem qualidade, que ele é incapaz de emitir nota e de se organizar. Do outro lado, o agricultor diz que não vende porque não sabe o que a prefeitura quer comprar, onde entregar, que tipo de documento apresentar. É um grande desencontro.

O Globo Online | BR | Conte algo que não sei

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