Por ajuda em obra de usina, Aécio teria recebido R$ 50 milhões

13/04/2017

Os delatores Marcelo Odebrecht e Henrique Valladares afirmaram que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) recebeu R$ 50 milhões em troca da defesa de interesses da Odebrecht e da Andrade Gutierrez em obras para construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia.

Os dois delatores afirmaram que a propina foi acertada em 2008, quando Aécio era governador de Minas Gerais, e que ao menos parte desses pagamentos foi realizado em contas abertas no exterior. Uma dessas contas ficaria em Cingapura.

O acerto da propina teria sido acordado com Dimas Toledo, investigado pela Lava-Jato por suspeita de ser operador do PSDB. "O Marcelo disse que tinha acertado com o governador o valor de R$ 50 milhões, a serem pagos na proporção 60-30. Ou seja, R$ 30 milhões a serem pagos pela Odebrecht e R$ 20 milhões pela Andrade", disse Valladares.

"O Dimas Fabiano [Toledo] me procurou e trouxe já o cronograma de R$ 30 milhões e aí (...) ele trazia para mim, não era nem folha, era um pedaço de papel, com a indicação de nomes, empresas, com sede no exterior", afirmou Valladares, ex-executivo da área de Energia da Odebrecht.

Outro ex-executivo da Odebrecht, Sérgio Neves, que também firmou acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), afirmou que Aécio recebeu propina equivalente sobre os contratos para obras da Cidade Administrativa, sede oficial do governo mineiro. Segundo Benedicto Barbosa da Silva Júnior, a Odebrecht pagou entre 2007 e 2009 o equivalente a 3% de sua participação nas obras da Cidade Administrativa, totalizando R$ 5,2 milhões, para abastecer futuras campanhas políticas do PSDB. Um dos responsáveis por liberar recursos do setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, Benedicto Júnior conta em sua delação que o senador Aécio Neves o procurou em 2007 para informar que a empresa participaria da licitação, e que Oswaldo Borges da Costa Filho, presidente da Codemig, deveria ser procurado para tratar do assunto.

O diretor-superintendente da Odebrecht em Minas, Sergio Neves, entrou em contato com Borges, sendo então instruído de que a empresa trabalharia em consórcio com a OAS e a Queiroz Galvão, e que deveria fazer um pagamento de 3% do valor de sua parte do contrato, para colaborar com futuras eleições do PSDB. De acordo com Benedicto Júnior, esses recursos foram pagos pelo setor de Operações Estruturadas, conhecido como departamento de propinas da empresa.

Valor Econômico | BR | Política | Página 07

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