Planeta mais quente

18/04/2017

A Terra está cada dia mais quente. Em 2016, atingimos 1,38ºC acima da temperatura observada no século 19. "É improvável que o mundo fique dentro dos limites necessários para evitar desastres causados pela elevação dos oceanos", alertou Carlos Henrique Lima, Ph.D. da Universidade de Brasília (UnB).

O Acordo Climático de Paris estabelece metas para manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5ºC. "Podemos encerrar o século com termômetros até 3,7ºC mais elevados. Estamos vivendo em um ritmo constante de quebras de recorde nas temperaturas. Em 2016, tivemos o ano mais quente até agora. Antes dele havia sido 2015. O principal motor da indústria são as emissões de gás do efeito estufa", lamentou Lima.

Fenômenos como queimadas, gases do efeito estufa e altas taxas de desmatamento só colaboram para reduzir a precipitação e afetar a disponibilidade hídrica. Além de causar secas mais intensas e frequentes e reduzir a disponibilidade de águas subterrâneas. "As consequências são cheias, alagamentos e deslizamentos de terra. Temos que estar preparados para situações mais críticas, pois a temperatura vai continuar subindo", avisou.

Em 2016, o cerrado teve mais de 60 mil focos de calor. Em 2015, foram 126 mil quilômetros de área incendiada e em 2014, um total de 74 mil quilômetros. O fogo que atinge essas regiões acaba por comprometer a qualidade do solo, cujas camadas superiores perdem nutrientes e matéria orgânica e se tornam mais pobres e menos eficazes para plantações.

"Em 2016, tivemos um agravamento do período da seca, por causa do final do El Niño, e, com isso, há dois períodos acumulados de pouca chuva desde o segundo semestre de 2015. Esse aumento do período seco fez com que a vegetação ficasse mais seca e a menor disponibilidade de água gerou maior potencial para as queimadas", destacou o Ph.D.

Na opinião de Lima, as principais saídas para o problema passam pelo investimento em tecnologias e infraestrutura ambientalmente viáveis, modos de vida e comportamentos sustentáveis. "Um primeiro passo seria o aumento da segurança hídrica e de resiliência a secas. Aumento da captação da água de chuva, técnicas de armazenamento e conservação da água, reúso, reciclagem, eficiência no uso para irrigação agrícola, preparo para desastres naturais e outras ações que devem ser tomadas com a conscientização da população no uso desse produto", ensinou.

Ele apontou ainda que a redução da emissão de gases do efeito estufa, o aumento dos sumidouros de carbono, o uso racional e planejado do solo, o replantio de árvores e o manejo sustentável de florestas podem ser soluções para mitigar o problema.

O desmatamento do Cerrado vai passar a ser monitorado por um projeto coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Além de fiscalizar o bioma, também vai disponibilizar dados sobre riscos de incêndios e taxas de concentração de gases do efeito estufa.

O clima, que está em constante mudança, com temperaturas local e global aumentando, associado a outras demandas produzidas pelo homem que afetam os recursos hídricos, traz a necessidade de um governo forte que consiga implementar medidas corretas e eficazes. Por outro lado, o setor privado tem que pensar no desenvolvimento sustentável, olhando o lado ambiental, propondo novas tecnologias que vão ao encontro desses desafios. E tem a sociedade, que precisa pensar que modelo quer deixar para as futuras gerações e fazer a sua parte."

Sustentabilidade

Segurança hídrica é assegurar o acesso sustentável à água de qualidade, em quantidade adequada à manutenção dos meios de vida, do bem-estar humano e do desenvolvimento socioeconômico -- leia-se: igualar a oferta e a demanda de água --, além de garantir proteção contra a poluição hídrica e desastres relacionados à água e preservar os ecossistemas em um clima de paz e estabilidade política.

Correio Braziliense | BR | Especial | Página ESP06

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