Perda da Amazônia é maior, diz estudo

13/04/2017

Os dados de desmatamento da Amazônia considerados pelo Brasil em suas estatísticas oficiais de perda de floresta e de emissões de gases de efeito estufa provocadas pela mudança no uso do solo podem estar sendo subestimados ao não levar em conta outras formas de vegetação.

O alerta foi feito por um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos em pesquisa divulgada ontem na revista Science Advances. Eles compararam os números fornecidos pelo Prodes - o sistema de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que produz o dado oficial anual - com um mapeamento feito pela Universidade de Maryland. A análise foi para o período de 2000 a 2013 em toda a área da Amazônia Legal.

É basicamente uma questão de metodologia. Enquanto o Prodes tem por objetivo monitorar a perda total na floresta primária - o chamado corte raso - somente no bioma amazônico, o modelo americano (UMD) é mais amplo.

Ele considera todo tipo de perda de cobertura de árvores, incluindo por fogo e por atividade madeireira, e em outras formas de vegetação, como em florestas secundárias (que surgem após uma área totalmente desmatada ser abandonada) e em campos arbustivos, tipo de Cerrado com bosque, na área de transição entre floresta e Cerrado, em especial em parte do Mato Grosso, no Tocantins e no Maranhão. Essa região particularmente vem sofrendo com a expansão agrícola na área conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

Segundo cálculos do grupo, liderado por Alexandra Tyukavina, da Universidade de Maryland, os dois modelos são consistentes em mostrar redução do desmatamento na floresta primária em especial a partir de 2008. Como até então o desmatamento da Amazônia era muito alto (o pico, de 2004, foi de 27 mil km2), as perdas em outras áreas não chamavam atenção. Mas com sua queda - 2012 teve o menor valor histórico, de 4.571 km2-, as pressões sobre outras áreas ficaram evidentes.

O Estado de S. Paulo | BR | Metrópole | Página A19

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