"O País precisa de uma estratégia para a Amazônia"

11/08/2017

Cerca de 80% da madeira comercializada no Brasil é ilegal. A construção civil é a grande compradora desses produtos, que têm origem no desmatamento. O problema, no entanto, é maior do que perda florestal – como se não bastasse. O Brasil tem compromissos assumidos internacionalmente contra a devastação de suas florestas, em especial a Amazônica. O mais recente é o Acordo de Paris. Para Aline Tristão Bernardes, diretora geral da Forest Stewardship Council (FSC), principal certificadora mundial de produtos de origem florestal, essa é uma realidade triste, que faz o País perder não só credibilidade, mas também recursos. “Floresta em pé é dinheiro”, afirma Bernardes. Com a criação de um mercado global de carbono, um dos pontos estabelecidos em Paris, o país tem grandes chances de lucrar com suas matas, desde que elas sejam preservadas. Mas o governo parece ir na contramão das tendências e acena com a redução das áreas de proteção ambiental, como no caso do Parque do Jamanxim, no Pará. “Não há justificativa plausível para o desmatamento, a não ser o financiamento do próximo ciclo de desmatamento”, diz a executiva. Confira a entrevista:

DINHEIRO – O governo, para atender a bancada ruralista, acena com a redução de áreas de proteção ambiental, como no caso do Parque do Jamanxim, no Pará. Isso não vai contra compromissos feitos pelo Brasil, como no caso do Acordo de Paris?

ALINE TRISTÃO BERNARDES – Vai contra todo o comprometimento do Brasil. O desmatamento aumentou 60% em 2016. Eram 900 funcionários para fazer a fiscalização na Amazônia, hoje são 600. Agora tem a diminuição da área protegida. Se você pensa que o maior impacto em termos de emissões é o desmatamento, estamos indo contra o que foi estabelecido no Acordo de Paris. Isso fez a Noruega e a Alemanha retirarem apoio ao Fundo Amazônia. Ou seja, além de desmatar mais, perdemos dinheiro.

DINHEIRO – E também vai contra as demandas do mercado, em especial o de papel e celulose? As empresas do setor apoiam esse tipo de política?

Revista IstoÉ | BR | Revista

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