'O custo da adaptação é menor do que a inércia ao aquecimento global'

14/06/2017

Diretor-executivo da ONU Meio Ambiente, norueguês elogia progresso mundial desde a Rio 92, mas critica avanço do desmatamento no Brasil

De que forma a Rio 92 transformou o mundo nos últimos 25 anos?

Vivemos melhorias significativas. A expectativa de vida e o tempo da população na escola aumentaram, doenças como cólera e poliomelite foram praticamente erradicadas. Mesmo em países que estão vivendo crises econômicas atualmente, como o Brasil, o desenvolvimento é inegável. Obviamente ainda há problemas. A poluição atmosférica, por exemplo, é o fator que causa mais mortes no mundo. As mudanças climáticas são cada vez mais preocupantes, e a pobreza extrema aflige um bilhão de pessoas.

O senhor teme que outros países sigam os EUA e deixem o Acordo de Paris?

Não. Agora o comprometimento é total. A China, por exemplo, já percebeu o potencial do investimento em energias renováveis. Não é apenas uma ação ambiental, e sim uma nova oportunidade de negócios.

Se todos os países cumprirem as metas que divulgaram no ano passado, o planeta vai aquecer 3 graus Celsius, índice maior do que o tolerável, segundo os cientistas. O senhor acredita que os chefes de Estado estão dispostos a assumir mais despesas?

O custo da adaptação é menor do que a inércia ao aquecimento global. Brasil, China, índia e União Europeia já sabem disso.

Como será o clima do planeta nos próximos 25 anos?

Há uma mistura cada vez mais perigosa entre política e meio ambiente.

Fui recentemente à Somália e vi que um milhão de pessoas deixaram os campos e vivem em tendas. Estão migrando para as cidades, porque a seca devastou as plantações. Em países como Síria e Sudão do Sul, é difícil distinguir os estragos causados pela guerra e pelas mudanças climáticas.

O Globo | BR | Sociedade | Página 24

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