Mata do Jamanxim é cobiçada por madeireiros e garimpeiros

07/07/2017
Um incêndio criminoso está no meio de uma disputa pelos recursos da Floresta Nacional do Jamanxim. Essa área sofre a ação constante de garimpeiros, grileiros e madeireiros.

Em uma ação recente, agentes do Ibama armados colocaram fogo em duas balsas usadas por garimpeiros de ouro ilegais. Os equipamentos foram flagrados na Floresta Nacional do Jamanxim, no sudoeste do Pará, a unidade de conservação mais desmatada da Amazônia. Além de garimpeiros, a mata é cobiçada por madeireiros ilegais. Por isso, uma grande quantidade de toras chamou a atenção do Ibama.

“Essa região aqui já foi muito explorada. Praticamente, não tem mais remanescente florestal capaz de ter o suporte de matéria prima como esse aqui”, diz Rene Luís de Oliveira, coordenador-geral de Fiscalização do Ibama.

Entre as toras, ipês, madeira valiosa. Mas, neste caso, não foi possível saber se a madeira era legal ou não. Os maiores inimigos da floresta, no entanto, são os grileiros, pessoas que invadem terras públicas, tomam posse e montam fazendas. Pelo menos 250 posses estão sendo reivindicadas no interior da floresta. Só numa área, o desmate atingiu o equivalente a 6.400 campos de futebol. 

O enigma dessa área é saber quem desmatou e quem seria o dono dela. A área está registrada em nome de uma pessoa que não é da região, possivelmente um laranja. A falsificação de registros de terras no Brasil esconde o criminoso e leva à impunidade, e a impunidade abre as portas para o desmatamento ilegal.

É o que acontece também em outra área, sem dono legal, que fica no limite da floresta. Três grileiros disputam a posse. Mas quem está ocupando são posseiros como Oswaldo, que abriu uma clareira na mata e montou um barraco onde guarda as poucas coisas que tem.
“Tudo que eu tenho está aqui. Tudinho que eu tenho, está aqui”, afirma o agricultor Oswaldo José Fabrício.

Ele quer escapar do regime de quase escravidão dos trabalhadores da região. “O senhor trabalha com fazendeiro, trabalha com tudo quanto é coisa, você não tem direito em nada. O seu acerto assim: R$ 50, R$ 30, tá aqui”, diz.

Oswaldo recebeu a promessa de ganhar dez alqueires e meio em um assentamento ilegal. Alenquer é quem coordena a divisão da terra em 125 lotes. Ele é presidente de um sindicato que não tem registro no Ministério do Trabalho e que não é filiado a nenhuma central sindical.

A notícia de terra de graça atraiu muita gente. Marilene veio de Rondônia.

G1 | BR | Jornal Nacional

Leia a notícia completa aqui.

Veja o clipping completo