Amazônia perde proteção e ambientalistas acusam Temer e agronegócio

24/07/2017

Ambientalistas e a Procuradoria alertaram sobre o perigo que correm as áreas e comunidades amazônicas por medidas adotadas pelo presidente Michel Temer a favor do agronegócio, um de seus pilares políticos em um momento que tenta sobreviver a uma denúncia de corrupção.

O presidente sancionou nos últimos dias um programa para legalizar terras federais invadidas em áreas protegidas e deu o aval ao congelamento da cessão de títulos de propriedade para índios e descendentes de escravos.

As duas iniciativas se somam a outra medida debatida no Congresso para reduzir o tamanho dos santuários naturais existentes.

“Há uma ofensiva da bancada ruralista no Congresso e estão propondo inúmeras reduções da proteção ambiental e estão colocando dificuldades para o reconhecimento de territórios tradicionais, quilombolas e indígenas”, afirmou à AFP Elis Araújo, pesquisadora do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), por telefone, de Belém.

A proteção ambiental “é uma moeda de troca”, acrescentou.

Os ambientalistas sustentam que legalizar a ocupação ilegal pode acarretar no grave risco de violência.

Um trabalho da ONG internacional Global Witness afirma que o Brasil é o país onde mais ecologistas foram assassinados em 2016 – 49 de um total de 200 em todo o mundo. A Comissão Pastoral da Terra, que defende os trabalhadores rurais, já contabilizou 37 mortes ao longo de 2017.

O governo transformou em lei uma Medida Provisória (MP) apresentada como uma normalização da situação dos agricultores pobres, principalmente na Amazônia. Mas os ambientalistas dizem que a lei esconde sérios riscos.

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“Ficou conhecida como ‘MP da grilagem’ por permitir a legalização em massa de áreas públicas invadidas, abrindo caminho ao agravamento do desmatamento e dos conflitos de terras”, assinalou o Instituto Socioambiental, organização dedicada a cuidar dos direitos do meio ambiente.

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